2020, um ano daqueles… 

Foto: Getty Images

Filipe Almeida – Já estamos há quase 4 meses no isolamento social. Nem nos meus pensamentos mais pessimistas eu iria esperar isso – Na verdade, o meu pensamento mais pessimista sempre é um apocalipse zumbi, mas creio que isso não vem ao caso – o que eu esperava era o mesmo que aconteceu com o H1N1, campanhas para utilizar álcool gel – Eu já era um consumidor compulsivo –  evitar tocar muito nas pessoas, mas no geral, nossa vida iria continuar quase que normalmente. Nossa, como eu estava errado. 

Primeiro que não podemos sair de casa, e para quem tem idoso em casa, sabe como isso é impossível para eles – O que é irônico, porque sempre imaginamos eles não fazendo nada em casa – Minha avó por exemplo, só confia apenas em si mesma para comprar as carnes e os peixes, mas tendo 73 anos, ela está no grupo de risco do Coronavírus. Minha sorte foi o meu irmão Elias, biomédico da casa, que teve a honra – para não falar a pena – de explicar para ela tudo sobre o vírus e que pode fazer com ela, depois dele mostrar algumas fotos para ela, acredito que ela entendeu o recado, pois nem do quarto ela sai mais. 

O que foi uma tarefa fácil para mim, com certeza não foi para os outros. Vários idosos morrem diariamente por Covid-19. Aqueles que não abdicaram do dominó na praça de tarde, do coral da igreja ou do bingo – Isso ainda existe? – infelizmente, não tiveram um final feliz. Na verdade, o número de famílias que tiveram seus entes queridos mortos ou em casos extremos, toda a família, parte meu coração, e com certeza reforça a proteção dos meus. 

Entretanto, algumas pessoas não conseguem desenvolver empatia por essas fatalidades. Muitas quebraram e quebram as regras do isolamento: Passeio nas praias e praças, festas em condomínios, protestos – seria esse o melhor momento? – entre outros, são frequentes na televisão. Muitos, infelizmente, experimentaram a karma, e se infectaram, o problema é que essas pessoas começam a espalhar o vírus pela cidade, aumentando ainda mais o tempo do isolamento. Lembrem, essa loucura era para terminar no começo de maio, mas já estamos no meio de junho com esperanças de que em agosto as nossas vidas voltem num normal meio filme distopia, até que a cura finalmente seja liberada para todos. 

O sentimento de empatia nos teria poupado muito tempo, veja a Nova Zelândia por exemplo, assim que a ameaça do Coronavírus chegou por lá, trataram de fechar tudo e isolar todos, resultado? Zero casos de Covid-19 confirmados na semana passada e todos voltaram ao trabalho e estão até se abraçando na rua – Tipo final de copa do mundo, ou do BBB – Culpa? Alguns culpam os chineses, mas eu culpo as fake News e os desacordos do Governo Federal. Sem sombra de dúvidas nós estamos passando pela pior crise sanitária da história desse país, e com certeza não é o melhor momento para demitir dois ministros da saúde e terminar sem nenhum – aí sim parece com o BBB.  

E para piorar a situação, os apoiadores do presidente tem o melhor software de divulgação de fake News: Os tios e tias do WhatsApp. Todo dia nós somos bombardeados por essas notícias que sempre falamos para nós mesmos: Quem vai acreditar nisso? Pois é, acreditam, e cegamente levam como verdade para suas casas. Isso contribuiu para o grande ruído de informações que atravessa a nossa nação. 

Bem, gosto de pensar que sou um cara otimista, e que nossas vidas iram voltar ao normal. O quando isso vai acontecer é um mistério, acredito que nem os médicos Ph.D. em medicina da OMS sabem ao certo, quanto mais um estudante de jornalismo desesperado por seu diploma que parece estar mais longe ainda com essa parada. Mas precisamos manter as nossas esperanças altas, porque não vamos vencer essa guerra contra o vírus lutando entre si, mas juntos, por um país melhor. Bem, pelo menos é o que eu acho. 

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Filipe Almeida

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