Qual o papel do Jornalismo nesse período de quarentena?

Crédito: Getty Images

Filipe Almeida – O ano de 2020 trouxe consigo um vírus perigoso e altamente transmissível. Em crises de pandemia, a Organização Mundial da Saúde (OMS) sempre tenta resolver o mais rápido possível: identificando a doença em seus primeiros estágios e contendo sua transmissão, assim foi com o HIV e o H1N1. Mas como se trata de um vírus novo, os esforços da OMS não foram suficientes para conter o alto avanço do novo Coronavírus (SARS-CoV-2), que agora está em praticamente todos os continentes e tem mais de 1,5 milhão de casos mundiais. O pedido de isolamento e distanciamento social da OMS, acolhida pela maioria dos países, é uma das medidas mais importante para desacelerar o contágio, mas talvez a mais importante de todas seja a informação.  

É bem verdade que a imprensa, assim como a maioria da população ocidental, estava um pouco cética quanto a proporcionalidade do avanço da COVID-19, muitos acreditavam que a doença não deixaria o continente asiático, e o foco foi mudando para as notícias locais. Nos Estados Unidos, a votação do impeachment ainda estava em pauta, apesar de já decidida; já na Inglaterra, Boris Johnson se preparava para anunciar sua nova equipe de ministro pós-BREXIT; e no Brasil, como sempre, o carnaval tomava a grade de programação. Entretanto, somente quando a crise da COVID-19 atingiu a Itália e Irã, que a imprensa começou a focar suas atenções nessa nova ameaça. 

Quando o isolamento foi recomendado pela OMS, a missão da imprensa não era apenas mostrar os números, mas alertar a população sobre os cuidados com o novo vírus. Entretanto, as atualizações diárias do número de mortos e infectados trouxe um questionamento da população e de líderes mundiais: Estaria a imprensa aterrorizando o povo, ao invés de confortar nesse período de isolamento?  

Primeiro temos que entender o papel do jornalismo na sociedade, que é mediar, através da informação, a sociedade e os acontecimentos que nela se encontram, então informar os números de mortos e infectados é o dever do jornalista. Segundo, a partir do momento em que esses dados são divulgados, o medo da população joga a favor da contenção do vírus: pare para pensar que caso a imprensa ou o governo poupasse as pessoas dessa informação, elas pensariam: “Por que devo permanecer em casa? Esse vírus não é tão perigoso quanto parece”. Ao invés de acalmar a população, a falta de informação seria muito pior e contribuiria muito mais para a contaminação em massa.  

A Rede Globo tem feito grandes avanços em educar a população; mudou sua grade de programação completamente e adicionou um programa no horário da manhã que tem como foco orientar sobre os cuidados com o Coronavírus e as dúvidas sobre os sintomas e a urgência de atendimento. Em seu canal a cabo, Globo News, quase toda as programações focam nas últimas notícias relacionadas ao vírus e reportagens especiais com infectologistas por exemplo. 

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC em inglês) vem alertando sobre como as pessoas devem lidar com o estresse nesse período de Coronavírus e tem utilizado os canais de televisão e revistas cientificas americanas para dar a assistência à população, algo que a gente acompanha nos programas “É De Casa”, “Combate ao Coronavírus” da Globo e “Melhor da Tarde” na Band. Ou seja, além dos números, a imprensa também mostra a importância da saúde mental nesse período de isolamento.  

Seria a informação mais importante do que a saúde mental da população? Quando se trata de liberdade de imprensa e o direito da própria sociedade à informação, nesse caso em específico, sim, para que a população saiba do perigo que essa nova doença traz, que em tão pouco tempo mudou completamente o nosso mundo, e que essas mesmas pessoas não se transformem nos números que tanto as assustam. 

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Filipe Almeida

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