Oceanos cobrem 71% da terra, mas caso o efeito estufa continue, esse dado tende a aumentar

Filipe Almeida – Foi divulgado nessa quarta-feira (25) em Mônaco, o relatório especial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) alertando sobre as mudanças radicais no aquecimento dos oceanos e das massas polares (Polo Norte e Antártica). Na reunião que durou 5 dias, de portas fechadas, foi discutido como essas mudanças já estão alterando o clima na terra, e quais áreas serão afetadas pelos efeitos.
Desde os anos 90, os níveis de aquecimento dos oceanos têm aumentando drasticamente. Os novos estudos do próprio IPCC apontam que o derretimento das calotas polares é tão agressivo, que o oeste da Antártica já passou do ponto de ser reversível. Esses dados só ajudam no aumento do nível do mar.
“As consequências para a natureza e a humanidade seriam severas” diz Ko Barret, Vice-Presidente da IPCC e Diretor de pesquisa da Administração Nacional de Oceania e Atmosfera na Conferência de imprensa na terça (24). Ko Barret explica também como o nível do mar ameaça cidades costeira que estão abaixo do nível do mar, lar de quase 680 milhões de pessoas, ou seja, 10% da população mundial. No documento apresentado pelo IPCC, os pesquisadores explicam como o nível da água dos oceanos aumentou em quase 20 metros em certas costas quando comparado com os anos 90. Em alguns lugares, como no Mar Mediterrâneo, o nível chegou a mais de 30 metros.
O documento também compara o aumento da Média Global de Nível do Mar (GMSL em inglês) com o século passado, projetando o GMSL previsto para 2100. A comparação comprova que a GMSL cresceu a partir do período industrial, quando o aquecimento global virou uma realidade.
| PERÍODOS | AUMENTO mm yr -1 (média anual) |
| 1901-1990 | 1.4 |
| 1970-2015 | 2.1 |
| 1993-2015 | 3.2 |
| 2005-2015 | 3.6 |
A IPCC alerta sobre o impacto que a GMSL trará para as cidades costeiras como Nova York e Roterdã: “Ecossistemas costeiros já estão impactados com a combinação do aumento do nível do mar, outras mudanças relacionadas aos oceanos e efeitos provenientes das ações humanas no oceano e na terra”. Várias dessas cidades que estão abaixo do nível do mar utilizam sistemas de barreiras e decks para controlar e diminuir o nível da água, mas os pesquisadores do IPCC afirmam que estes mecanismos foram pensados à curto para médio prazo, então, em um futuro próximo, esses sistemas devem ser reestruturados para se adaptar aos altos níveis. O texto também explica que esses mecanismos alteram o ecossistema da zona costeira, o que também contribui para o aumento do nível do mar.
O relatório é um dos vários relatórios especiais que estão focando no uso de novos métodos científicos para identificar as mudanças climáticas atuais, como a leitura de mudança da configuração da órbita terrestre e testes geoquímicos. Estes testes preveem uma redução de mais de um terço da massa das geleiras em 2100, e algumas cadeias de montanhas podem perder até 80% do gelo, já outras irão sumir por completo. Esse efeito irá reduzir drasticamente o suprimento de água potável no mundo.
Com as plataformas de gelo da Antártica e Groelândia liberando mais de 400 bilhões de toneladas de água por ano, caso não haja cortes de emissão até o fim do século, a massa total de animais marinhos diminuirá 15%, e, infelizmente, 680 milhões de pessoas, as quais hoje vivem em regiões costeiras no mundo inteiro, serão obrigadas a migrar.
Novo relatório especial do IPCC
Como será o mundo em 2100 caso o aquecimento não seja controlado?
Aumento da Média Global de Nível do Mar (GMSL)
| Período | Aumento |
| 1907-1970 | 0,79 metro |
| 1970-2018 | 0,6 metro |
| 2019-2100 | 1 metro |
Aumento de temperatura estimada para os oceanos
| Período | Temperatura |
| 1982-2017 | – 0,12 ºC por década |
| 2017-2030 | – 0,3 ºC por década |
| 2030-2100 | 0.12 ºC por década |
Megacidades que poderão ser afetadas
| Cidades | População |
| Nova Iorque | 8,63 milhões |
| Amsterdam | 821.752 mil |
| Rio de Janeiro | 6,33 milhões |