Privacidade e Segurança da Informação na Era da Conectividade

Em tempos que a interatividade e a conectividade são essenciais para um melhor estilo de vida, uma discussão sempre entra no meio: A privacidade dos usuários. Afinal, como usufruir de toda conectividade sem que minha privacidade seja comprometida?

A privacidade e a conectividade constituem, na realidade, um paradoxo, como afirma Dorival Moreira Machado Júnior em sua tese “Segurança da informação: Uma abordagem sobre proteção da privacidade em internet das coisas” (2018). O usuário fica no meio do paradoxo para “negociar” o quanto ele pretende sacrificar de sua privacidade em troca de uma melhor interação. O sentido de privacidade também costuma a ser confundido com Confidencialidade, enquanto o primeiro se refere a um dado privado, que não diz respeito às outras pessoas, o segundo faz menção ao que está confinado, limitado para manter-se escondido.

Essa confusão traz a grande questão: os meus dados pessoais são privados ou confidenciais? Atualmente, na maioria dos sites (principalmente as redes sociais) os dados são privados, ou seja, à vista de terceiros (Bancos de dados, sites etc.), mas a partir do momento que as empresas usam os dados sem o consentimento do usuário, elas quebram a segurança da informação. Dorival explica como a segurança da informação está sustentada a 3 pilares: Disponibilidade (informação disponível quando necessário); Integridade (informação na sua essência, sem modificações) e Confidencialidade (a propriedade da informação tem que ser exibida somente ao agente autorizado). Como cada um desses pilares trabalham de forma intrínseca, se apenas um desses pilares for comprometido, todo o processo torna-se inseguro.

Um grande exemplo disso é o Facebook. Em 2018, a empresa informou a existência de uma falha em seu site, expondo dados pessoais de quase 50 milhões de usuários. A falha resultou, infelizmente, em um reset de login de 90 milhões por motivos de segurança. Outro exemplo envolvendo o site Facebook foi o escândalo de dados da Cambridge Analytica, que coletou dados de 87 milhões de usuários, os quais foram utilizados para influenciar a opinião de eleitores nas eleições de seus países. Enquanto a Disponibilidade foi garantida, a Confidencialidade foi comprometida, e mais tarde, a Integridade.

Tudo isso nos traz de volta a pergunta do início: Como usufruir de toda conectividade sem que minha privacidade seja comprometida? Já existem mecanismos regulatórios para as ações virtuais, a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), foi sancionada no final de 2018 no Brasil, e as empresas que trabalham com coleta de dados terão até 2020, quando a lei entra em vigor, para adequar seus procedimentos. Dados como nome, endereço, RG, CPF e até mesmo o endereço IP são considerados como dados pessoais e, caso utilizados sem o consentimento do usuário ou de maneira indiscriminada, as empresas irão responder por crime.

A proteção de dados deve ser um compromisso ético dessas empresas, para que haja a garantia da preservação da identidade, integridade e respeito à dignidade humana.

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Filipe Almeida

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