Sempre conhecido como o país do futebol, o Brasil está à beira de uma revolução esportiva com a grande ascensão do Basquete.

Filipe Almeida – Desde a inauguração do escritório da NBA Brasil em 2012, no Rio de Janeiro, o crescimento do esporte no país tem sido meteórico. Segundo dados do Estadão, entre 2013 e 2016, o faturamento do grupo NBA Brasil foi de 300% (de R$ 25 milhões para R$ 100 milhões por ano). De acordo com o último levantamento feito na Internet pelo instituto IBOPE Repucom, em 2016, cerca de 30 milhões de brasileiros se dizem fãs do esporte, e dessas pessoas, 15% vão ao estádio regularmente e compram os produtos oficiais dos times.
Mesmo sendo um esporte com mais de 120 anos, a prática do basquete entre os jovens ainda é novidade nas quadras, ruas e escolas brasileiras. Em Pernambuco, não é diferente. A quadra de Ouro Preto, em Olinda, é um exemplo disso. Recentemente reformada, teve a modalidade como principal protagonista na sua reutilização. “Há quatro anos, a quadra estava suja, com as marcações desbotadas e sem as tabelas. Com a ajuda da galera do basquete e a comunidade, conseguimos revitalizá-la”, diz o professor Rodolfo Lopes (Foto), de 29 anos. “Não tivemos ajuda de nenhum vereador. Todos prometiam, mas nenhum ajudava, e não podíamos deixar a quadra do nosso bairro largada do jeito que estava”, emenda.
O empresário Hercílio Lopes, de 26 anos, também se movimentou para colocar as tabelas na quadra. “Eu amo basquete. Já fui a jogos da NBA e queria trazer o esporte para o bairro. Temos também várias ideias, como promover campeonatos entre bairros, jogos entre comunidades, tudo que ajude a promover o esporte por aqui”. Ele lembra também como era a prática do esporte antes; “Nós costumávamos a jogar na rua mesmo, era o que tinha, mas quando vimos a quadra praticamente abandonada, resolvemos agir.”

Várias crianças e adolescentes são atraídos pelo esporte, como é o caso de Wesley Santos (Foto), de 15 anos. “O basquete é um esporte diferente, que desperta a curiosidade. Eu não gostava muito de futebol, e vi na modalidade uma oportunidade de continuar praticando esportes”. Rodolfo comenta como essa prática ajuda a tirar os jovens de situações de risco. “Com certeza, muitos desses jovens estavam em perigo, mas viram no basquete uma alternativa de vida”.
A audiência do esporte na TV também vem crescendo ao longo dos anos. Segundo a Liga Nacional de Basquete (LNB), o canal SporTV registrou
aumento de 86% na temporada 2015/2016 do Novo Basquete Brasil (NBB). “Eu prefiro a NBB”, diz Rodolfo. “É um basquete mais ‘raiz’, em que a habilidade conta muito na hora do jogo, por isso acompanho mais a liga brasileira”.
Mas, mesmo com um público alto, a NBA continua sendo a liga preferida entre os brasileiros. A final do torneio este ano bateu o seu maior recorde de audiência no Brasil em sua história. Foram 36% de aumento em comparação ao segundo jogo da final de 2017. Cada pessoa passou em média 1h16 assistindo à partida. “O basquete aqui no Brasil só não cresce por falta de investimento”, conclui Rodolfo , “Se o país percebesse o potencial que esse esporte tem, não apenas na prática, mas também em marketing, eles iriam investir pesado, mas somos o país do futebol, e eles só tem olhos para isso.”

Não há dúvidas que a modalidade vem crescendo entre os jovens brasileiros. Desde 2012, as pesquisas de perfil de fãs são bem claras: o interesse pelo esporte vem aumentando cada vez mais, até mesmo pelas mulheres, que já são 42% do público do esporte. O futebol sempre fez parte do DNA brasileiro, mas, assim como o vôlei e o tênis, a febre pelo basquete veio para provar que a paixão nacional hoje, é poliesportiva.