Reforma do Mercado de Areias ainda é um mistério para moradores da Zona Oeste

Quem passa na Avenida Dr. José Rufino em Areias, logo percebe o estado do Mercado Municipal. Sem telhado, estrutura precária e com a parte interna interditada, o futuro do local está indefinido. Tudo começou em 2006 quando parte do telhado desabou, forçando a prefeitura mandar os comerciantes se realojarem para os arredores do estabelecimento. Desde então a prefeitura nada fez para reverter a situação, pelo fato do mercado não ser público.

Betânia espera que a situação se normalize no Mercado

“Cada box tem um dono”, afirmou Betânia, dona de um Salão de Beleza, “Mas não conheço os donos. Em época de eleição, alguns vereadores aparecem aqui e prometem algumas coisas, mas nunca sai do papel”. Segundo alguns comerciantes, a prefeitura tentou comprar o mercado, mas a conversa nunca chega a um acordo.

Johnson frequenta o mercado há mais de 30 anos

Alguns moradores vivenciaram a história do mercado por mais de 30 anos, é o caso de Johnson, que é dono de uma lanchonete no local, mas que vai ao mercado há muitos anos. “Começou a dar errado há 8 anos quando caiu todo o telhado. Era um Mercado não só de Areias, mais de todos os bairros, Jardim São Paulo, Tejipió, Estância. Era o ponto comercial de toda adjacência”. Construído em 1959, o Mercado de Areias cresceu rapidamente por ser um dos primeiros da Zona Oeste.

A marquise em formato de arco sempre foi uma de suas características mais marcantes, porém, em 2006 parte do telhado desabou. A prefeitura então tirou todo o telhado para evitar acidentes. “A prefeitura na verdade quer tomar o mercado, porque deve ter muito IPTU atrasado, mas sempre que ela entrou na justiça tinha uma liminar que a impedia, ainda não apareceu alguém que tivesse coragem de reergue-lo”, lamentou o comerciante.

Segundo Johnson, até o SENAI, que fica em frente ao mercado, já pediu para a prefeitura para ficar com o terreno para criar um prédio anexo a Escola Técnica. “Há uns 6 meses veio João Braga, Defesa Civil, Bombeiros, o pessoal sempre está aqui, mas as promessas deles, ninguém tem dinheiro nem capital para fazer isso” lembrou Johnson.

Um ponto argumentado pelo vereador Chico Kiko na Câmara Municipal sobre o Mercado é a criminalidade, “O espaço virou ponto de drogas e prostituição. Dos seus 229 boxes, apenas 21 funcionam”.

Parte interna do Mercado está cheia de lixo e é ponto de drogas

A moradora Diva Almeida, de 70 anos, afirma que vai ao mercado à 44 anos. “Tinha sapataria, paneleiro, restaurantes e açougues. Desde o dia que o telhado caiu e interditaram, deixou de suprir algumas necessidades da comunidade, como concertos de panela e sapatos e as peixarias que eram limpas e baratas, agora eu tenho que ir ao Cais de Santa Rita para comprar”, lamenta.

Para Johnson, “O mercado representa muito para os bairros da Zona Oeste. Tinha de tudo, loja de roupas, sapatos, restaurantes, hoje está aí, nessa situação”. Para Betânia, “O Mercado representa tudo, porque nós dependemos dele, pouco ou muito, a gente vive daqui. ”

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Filipe Almeida

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